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Testemunho:
Drª Camila Coutinho



A Oncologia não foi uma escolha totalmente planeada, foi, acima de tudo, intuitiva.

Hoje, reconheço que poderia ter seguido outros caminhos fora da Medicina mas, sendo médica, ser oncologista faz todo o sentido.

O dia a dia é exigente, tecnicamente desafiante e emocionalmente intenso. Ainda assim, é profundamente gratificante sentir que entramos na vida dos doentes e das suas famílias, respondemos a necessidades concretas e, de alguma forma, temos a oportunidade de fazer a diferença. A proximidade com pessoas em situações de fragilidade obriga-nos e ensina-nos a sermos mais empáticos, mais atentos, mais humanos.

Tive o privilégio de fazer a minha formação no IPO do Porto, uma instituição que, já na altura, mostrava uma visão muito à frente do seu tempo. Mais tarde, abraçar o projeto no Hospital de Guimarães surgiu, em parte, por uma necessidade de conciliação com a vida familiar. Foi uma decisão inicialmente questionada: faria sentido desenvolver oncologia fora dos grandes centros oncológicos?

Com o tempo, a resposta tornou-se clara. Os doentes ganham com cuidados de proximidade e, para o garante da sua qualidade, a presença do oncologista é fundamental. Esse caminho implicou uma acrescida responsabilidade, mas também um enorme sentido de propósito. Sempre me senti acarinhada, motivada e, sobretudo, feliz.

A abordagem multidisciplinar do doente oncológico permite o estabelecimento de relações estreitas com colegas e outros profissionais de saúde, dentro e fora da instituição. A constante evolução na oncologia induz a partilha de conhecimentos e experiências o que se traduz na presença em reuniões cientificas, sociedades cientificas e grupos de investigação.

Hoje, sinto uma profunda gratidão por trabalhar com uma equipa de excelentes profissionais e extraordinários seres humanos. Uma equipa que cresce, que se diferencia, que acompanha a inovação em oncologia e que mantém um compromisso ativo com os doentes, com a comunidade, com a colaboração a articulação em rede, ensino e investigação.

No final, tudo isto só faz sentido com equilíbrio. A realização profissional ganha verdadeiro valor quando caminha lado a lado com a vida pessoal e familiar. E, sendo mulher, reconheço que esse equilíbrio exige, muitas vezes, um esforço adicional — nem sempre visível, mas profundamente real.

Neste testemunho, fica o meu respeito por todas as mulheres que, nas mais diversas áreas, conciliam, cuidam, constroem e seguem em frente, mesmo quando o caminho é exigente.